Metodologia

A metodologia de trabalho da creche João Katz assenta nos princípios educativos do modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna (MEM), tendo como três grandes finalidades formativas:

– A iniciação a práticas democráticas;

– A reinstituição dos valores e das significações sociais;

– A reconstrução cooperada da cultura. (Niza 2012)

Assim sendo, é importante que sejam respeitadas as características da personalidade de cada criança bem como a sua evolução, pois são fatores importantes para o desenvolvimento da autonomia, responsabilidade, espírito critico promovendo assim o desenvolvimento da cidadania democrática de cada individuo. “Toda a criança se desenvolve ao seu próprio ritmo ” Ferland, (2006, p.30)

A fim de apoiar a responsabilidade pela aprendizagem e a vida do grupo e ajudarem o educador e crianças na organização na sala, o MEM apresenta alguns instrumentos de pilotagem que “baseiam-se na conceção de que ao documentar a vida do grupo, estes instrumentos ajudam o educador e as crianças a orientar/regular (planear/avaliar) o que acontece (individualmente e em grupo) na sala”. Folque (2012, p.55)

Alguns destes instrumentos são o mapa de aniversários, mapa de presenças, mapa do tempo, mapa de atividades, mapa de tarefas, etc. Mais importante do que a enumeração destes instrumentos, é a forma como cada educador os utiliza com as crianças, de maneira a que façam sentido para todos e cumpram os objetivos pretendidos.

O MEM vê na escola um espaço privilegiado para a iniciação às práticas de cooperação e de solidariedade de uma vida democrática. No ambiente escolar o educador e as crianças organizam o espaço e os materiais de modo a criar um meio facilitador da aquisição de conhecimentos bem como da criação de relações e integração entre todos. “O ambiente geral da sala deve resultar agradável e altamente estimulante, utilizando as paredes como expositores permanentes das produções das crianças, onde rotativamente se revêem nas suas obras de desenho, pintura.“ (Niza, 2012, p.200)

“O educador tem de aceitar a criança como pessoa, ouvindo-a e valorizando-a e deve também ajudá-la a comunicar com o grupo encorajando-a a ouvir os outros e a apresentar as suas experiências no contexto do grupo.” (Folque, 2012, p.56)

Ao educador cabe-lhe a tarefa de orientar atividades, sem as impor, indo ao encontro das expectativas, ideias e necessidades do grupo, para que sejam feitas com o máximo prazer possível de forma a produzirem aprendizagens. O educador deve ter um papel de facilitador da aquisição de aprendizagens e não de detentor do saber. Olhar, ver e escutar crianças quando estão envolvidas em atividades sozinhas, com pares ou com o apoio do educador torna possível obter descrições ricas sobre o que as crianças fazem e quais as suas potencialidades. “(…) partir dos interesses das crianças e das experiências educativas que são proporcionadas pelo educador, ou pelo contexto escolar ou comunitário.” (Folque, 2012, p.57)

Esta metodologia possibilita um maior e mais próximo trabalho com a comunidade e a família. “(…) muitas vezes, o professor esquece-se de que, quando a criança entra na escola, já sabe muitas coisas. O professor pressupõe que a criança nada sabe… o professor deve aproveitar tudo o que a criança sabe e usá-la como ponto de partida para aumentar o seu conhecimento ou construir novos conhecimentos (…)” (Folque, 2012, p.54)

Desta forma, a educação é concebida como um espaço/tempo no qual a criança constrói e se constrói pelas inter-relações que estabelece.